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ETFs de renda fixa dominam 2026; entenda como funcionam

Resumo
Os
ETFs de renda fixa despontaram como protagonistas em 2026, concentrando 86,72% das captações líquidas do ano, conforme a B3. Eles replicam índices de títulos públicos e de crédito (como Tesouro e Letras Financeiras), tendem a ter taxas menores, não têm come-cotas nem IOF, e seguem tributação regressiva pelo prazo médio da carteira. No levantamento da Quantum, dos 19 fundos de índice lançados e em funcionamento normal até março de 2026, 63% são ETFs de renda fixa, mostrando movimento das gestoras em torno dessa fatia. 
 


 

ETFs de Renda Fixa: Nova Onda?  

A indústria de fundos listados em bolsa (ETFs, na sigla inglês) está passando por uma nova febre: a da renda fixa. Desde o final do ano passado, os ativos referenciados em títulos do Tesouro ou em índices de crédito privado têm concentrado os novos investimentos na classe. 

Segundo a B3, o segmento concentrou 86,72% das captações líquidas (R$ 15,6 bi de R$ 17 bi), impulsionando o estoque de ETFs, que chegou a R$ 100 bilhões.  

Esses fundos, que replicam índices (chamados de benchmarks) de títulos públicos e de crédito, como Tesouro Selic, Tesouro IPCA+ e Letras Financeiras, têm ganhado protagonismo. Segundo levantamento da Quantum Finance, eles representam quase um terço dos 182 ETFs em funcionamento normal na bolsa (dados de março de 2026).  

Os dados revelam que ainda há uma hegemonia no Brasil dos índices de bolsas, como S&P 500 e Ibovespa. Mas, no ritmo dos lançamentos recentes, esse panorama pode mudar rapidamente.  

Só em 2026 foram 12 novos fundos de índice atrelados à renda fixa, o que representa 63% dos lançamentos. Veja a lista:  

Ticker  Benchmark  Gestão  Início do Fundo 
LFIX11   Letra Financeira S1 DI B3   Investo  10/02/2026 
MIDB11   Teva ITBR Tesouro IPCA 2035  BTG Pactual Asset Management  13/02/2026 
5PRE11  Teva ITBR Tesouro Pré Fixado 5 Anos  Itaú Asset Management  23/02/2026 
XB3011   Idex NTN-B 30  XP Asset Management  23/02/2026 
XB4511  NTN-B 45  XP Asset Management  23/02/2026 
XB6011  Idex NTN-B-60   XP Asset Management  23/02/2026 
TD3511  IMA-B5 P2  Itaú Asset Management  26/02/2026 
TD5011   índice IMA-B5 P2   Itaú Asset Management  26/02/2026 
TD6011   índice IMA-B5 P2   Itaú Asset Management  26/02/2026 
POSB11  Teva ITBR Tesouro Selic IPCA+  Galapagos Capital  18/03/2026 
LFTX11  Índice Tesouro Selic Low Turnover B3  XP Asset Management  27/03/2026 
LTBX11  ITBR 760 – Índice Teva ITBR Target 760  XP Asset Management  27/03/2026 

Fonte: Quantum Finance. Data de corte: 28/3/2026 

 

Como os ETFs de renda fixa funcionam?  

Os ETFs de renda fixa seguem índices de títulos públicos ou de crédito, seja de um ativo isolado (como o Tesouro Selic, por exemplo) ou de uma cesta com diferentes papéis. De uma forma ou de outra, o retorno do investidor corresponde aos juros pagos pelos títulos de dívida que fazem aumentar o valor da cota. 

Um dos atrativos ao investidor são taxas de administração normalmente menores do que as de fundos não-listados. E os ETFs não têm o chamado “come-cotas”, o pagamento semestral de Imposto de Renda sobre o lucro da aplicação que os fundos tradicionais de renda fixa cobram todo fim dos meses de maio e novembro, mesmo que não tenha havido movimentação. 

Esses produtos também não estão sujeitos ao Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) no caso de resgates feitos antes de completados 30 dias da data da aplicação inicial. 

 A tributação dos ETFs segue uma tabela regressiva, na qual a alíquota depende do prazo médio da carteira do fundo, e não do período que o investidor deixa o dinheiro investido, como nos investimentos diretos em papéis de renda fixa. 

 A alíquota começa em 25% nos prazos médios de até seis meses e recua até 15% nos prazos médios acima de dois anos. 

 Caso o investidor compre papéis do Tesouro diretamente, ele paga de 15% até 22,5% na tabela progressiva  ou seja, em alguns casos, nos quais os ETFs que seguem exclusivamente o Tesouro Selic (e por isso pagam 25%), é menos vantajoso comprar um ETF. 

 Em outros casos, quando o imposto é de 15%, é possível resgatar a qualquer momento economizando 7,5 pontos percentuais que iriam para a Receita Federal. 

 

ETFs: diversificação do mercado.  

A indústria tem se diversificado cada vez mais, apresentando para investidores uma vasta cartela de índices para referência. Dos 182 ETFs em funcionamento normal, 156 replicam benchmarks diferentes.  

Confira alguns índices ou grupos de destaque: 

Referência   N. Fundos 
Ibovespa   15 
Demais ligados à bolsa brasileira   19 
S&P 500  8 
Renda Fixa   40 
Criptomoedas   22 
Ouro e commodities  10 

 

Segundo o Valor Investe, depois da primeira fase, dos ETFs de ações, seguidos pelos de criptos e, no segundo semestre do ano passado, dos metais preciosos, é a hora e a vez da renda fixa. É o que apontam especialistas ouvidos pela publicação.  

Há uma assimetria clara entre volume financeiro captado e o número de produtos disponíveis, afirma Danilo Moreno, analista da Investo. A explicação é histórica: os ETFs de renda fixa chegaram ao mercado brasileiro muito depois dos de renda variável, e o investidor ainda está aprendendo a acessá-los e entendê-los. Mas essa lacuna está sendo preenchida com velocidade crescente e, na sua avaliação, o desafio agora é mais educacional do que de oferta. 

“Muitos investidores ainda associam ETF exclusivamente a ações e cripto. Quando descobrem que é possível investir em títulos do Tesouro, crédito privado ou até uma combinação de diferentes tipos de renda fixa por meio de um fundo negociado em bolsa, com taxa de imposto menor do que em fundos tradicionais e sem come-cotas, a reação costuma ser de surpresa”, afirma Moreno. 

Fernando Siqueira, chefe de research da Eleven Financial entrevistado pelo Valor Investe, também vê uma mudança de panorama em curso. Ele observa que, em especial, os índices que seguem Letras Financeiras, o Tesouro IPCA+ (NTN-B) ou o Tesouro Selic (LFT), representam boa parte dos últimos lançamentos. 

“Nos últimos anos, alguns casos chamaram a atenção, como os criptoativos e metais preciosos. Atualmente, os lançamentos parecem concentrados em renda fixa, mas é difícil dizer se será o caso de sucesso de 2026”, diz. 

Confira a matéria:  

 

 

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