Como anos eleitorais influenciam a volatilidade dos investimentos?

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Como anos eleitorais influenciam a volatilidade dos investimentos?

Este conteúdo explica como os anos eleitorais podem influenciar a volatilidade dos investimentos, especialmente em ativos de renda variável. O texto se baseia em dados históricos da Quantum para comparar o comportamento do Ibovespa e do S&P 500 em períodos eleitorais no Brasil e nos Estados Unidos. O objetivo é mostrar que eleições podem ampliar a oscilação dos índices analisados, mas o impacto depende do contexto fiscal, monetário, cambial e institucional de cada ciclo.

Anos eleitorais podem aumentar a volatilidade dos investimentos e exigem atenção dos investidores. Isso porque mudanças de Governo são capazes de alterar as expectativas sobre uma variedade de temas importantes para o mercado financeiro.

No entanto, a relação entre eleições e investimentos não segue uma regra automática. O calendário político é relevante — porém, seus efeitos dependem do cenário econômico, da percepção de risco e das expectativas em torno das decisões pós-votação.

Continue a leitura para entender como os pleitos aparecem nos dados históricos de volatilidade dos investimentos!

Como a volatilidade aparece nos preços dos ativos?

A volatilidade representa a intensidade das oscilações nos preços dos ativos em determinado período. Quando ela aumenta, as cotações variam com mais força, tanto para cima quanto para baixo.

Justamente por isso, volatilidade não é sinônimo de perda, estando ligada à maior sensibilidade dos preços a notícias, expectativas e mudanças de cenário. No mercado financeiro, ela costuma ser associada ao risco de mercado. 

Assim, alternativas mais voláteis apresentam maior incerteza sobre preços futuros, exigindo atenção adicional em relação à composição da carteira, ao horizonte de investimento e à tolerância ao risco.

Como anos eleitorais podem influenciar a volatilidade dos investimentos?

Anos eleitorais podem influenciar a volatilidade dos investimentos ao ampliarem a incerteza sobre a condução futura da economia. O mercado tende a reagir ao resultado das urnas e à percepção sobre a agenda econômica do próximo Governo.

Entre os fatores acompanhados estão:

  • trajetória das contas públicas;
  • política de gastos;
  • relação com o Congresso;
  • condução de reformas;
  • tratamento dado a setores estratégicos.

A política monetária também entra nesse quadro. Mesmo que os bancos centrais tenham autonomia operacional em diversos países, há chance de as expectativas sobre inflação, câmbio e política fiscal afetarem a curva de juros e os prêmios de risco.

No Brasil, o câmbio costuma ser uma variável importante. Em momentos de maior incerteza, o real tende a se desvalorizar. Contudo, ao converter o Ibovespa para dólares, por exemplo, a variação cambial é capaz de ampliar ou reduzir a volatilidade observada.

Esse ponto é relevante para investidores estrangeiros e profissionais que acompanham a atratividade relativa do mercado brasileiro. Existe a possibilidade de uma mesma bolsa apresentar comportamentos diferentes quando analisada em moeda local ou em dólar.

O que os dados mostram sobre a volatilidade em anos eleitorais no Brasil?

A base da Quantum revela que a volatilidade do Ibovespa em reais teve níveis diferentes nos anos eleitorais analisados. Nesse recorte, 2014 aparece como o período de maior oscilação, enquanto 2026 apresenta volatilidade menor, considerando os dados disponíveis até 4 de agosto.

O gráfico a seguir reúne a volatilidade apurada a partir dos retornos diários do Ibovespa em 2014, 2018, 2022 e no recorte parcial de 2026. 

A comparação permite visualizar como a intensidade das oscilações mudou entre os diferentes ciclos eleitorais.

Os números analisados indicam que a volatilidade do Ibovespa perdeu intensidade a cada ciclo depois de 2014. Ainda assim, o dado de 2026 deve ser interpretado com cautela por representar um recorte parcial do ano, antes da conclusão do período eleitoral.

Essa comparação muda quando o Ibovespa é medido em dólar. Observe na tabela:

2014 2018 2022 2026 Parcial
Ibovespa (R$) 24,99% 22,00% 21,00% 18,96%
Ibovespa (US$) 31,13% 31,34% 31,79% 25,03%

A diferença reforça o papel do câmbio na análise. Para o investidor local, a bolsa apresenta determinado nível de oscilação em reais. Já para investidores estrangeiros, a mesma variação incorpora também o movimento da moeda.

Isso ajuda a explicar por que a percepção de risco sobre o Brasil pode ser mais intensa quando se observa o mercado em dólar. Em anos eleitorais, a combinação entre bolsa e câmbio tende a ganhar importância.

O que acontece com a volatilidade em anos de eleições?

Antes de observar as janelas próximas aos turnos, vale comparar o período eleitoral com meses equivalentes em anos sem eleição no Brasil. Na base da Quantum, a volatilidade média do Ibovespa em outubro e novembro de 2014, 2018 e 2022 foi de 30,83%.

Nos mesmos meses de anos sem votação no país — 2015, 2017, 2019, 2021, 2023 e 2025 —, a média foi de 18,65%. O contraste indica que o período próximo aos pleitos presidenciais concentrou oscilações mais fortes do que o cenário-base usado na comparação.

A diferença fica mais clara no Ibovespa em dólar. Em outubro e novembro dos anos eleitorais analisados, a volatilidade média foi de 45,17%, ante 25,64% nos mesmos meses de anos sem eleição. Isso reforça o papel do câmbio na percepção de risco durante ciclos políticos sensíveis.

Veja:

Volatilidade média em outubro e novembro: anos eleitorais x anos sem eleição no Brasil
Recorte Ibovespa (R$) Ibovespa (US$)
Anos com eleição presidencial 30,83% 45,17%
Anos sem eleições gerais ou municipais 18,65% 25,64%

Como a volatilidade se distribuiu perto dos turnos?

Os recortes próximos aos turnos permitem observar como a volatilidade se distribuiu dentro de cada eleição.

Acompanhe o gráfico:

Esses recortes mostram que a volatilidade não se limitou ao comportamento da bolsa em reais. Na maior parte das janelas, o Ibovespa em dólar oscilou mais do que o índice em moeda local, reforçando o peso do câmbio na percepção de risco. A exceção foi o segundo recorte de 2018.

Em 2014, a tensão permaneceu elevada nas duas janelas, com avanço da volatilidade no período próximo ao segundo turno. Já em 2018, houve uma queda expressiva da volatilidade em dólar na segunda janela, sugerindo maior alívio após a definição do cenário eleitoral.

Em 2022, a volatilidade também perdeu força no segundo recorte, mas seguiu elevada em dólar. O movimento indica que a votação não encerra, necessariamente, a incerteza do mercado quando ainda há dúvidas sobre fiscal, juros, câmbio e governabilidade.

Como o Brasil se compara aos Estados Unidos?

A comparação com os Estados Unidos viabiliza observar como anos eleitorais se comportam em um mercado com dinâmica diferente da brasileira. No caso do S&P 500, a análise permite separar a volatilidade em moeda original daquela percebida pelo investidor brasileiro, que incorpora o efeito cambial.

Confira no gráfico a volatilidade do índice nos anos eleitorais norte-americanos analisados:

A visualização indica que 2020 foi um ponto fora da curva em relação a 2016 e 2024. Embora também tenha sido um ano eleitoral, o período foi marcado por pandemia, choque de atividade, estímulos monetários e forte reprecificação dos ativos.

Esse comportamento reforça que o contexto macroeconômico muitas vezes tem peso maior do que os pleitos na intensidade das oscilações.

Nas janelas próximas às eleições americanas, a tabela abaixo ajuda a comparar o comportamento do S&P 500 em moeda original e em reais.

Janela eleitoral S&P 500 em reais S&P 500 em moeda original
2016 22,02% 15,56%
2020 30,07% 30,31%
2024 20,80% 17,27%

A tabela mostra que o câmbio não atua sempre com a mesma intensidade. Em 2016 e 2024, a conversão para reais elevou a volatilidade percebida pelo investidor brasileiro. Em 2020, porém, as duas séries ficaram próximas, indicando que o choque de mercado já era expressivo mesmo em moeda original.

Portanto, a comparação internacional reforça que anos eleitorais devem ser analisados junto ao ambiente econômico de cada ciclo. Ainda, para investidores brasileiros, ativos externos também exigem atenção ao câmbio, podendo ampliar ou reduzir a volatilidade observada em reais.

O que explica a diferença entre os anos?

A diferença entre os anos eleitorais está ligada ao contexto macroeconômico e institucional dos ciclos. No Brasil, eleições ocorrem em momentos de inflação elevada, juros altos, dúvidas fiscais, crescimento fraco ou mudança de expectativas sobre reformas. Cada combinação afeta os ativos de maneira distinta.

Em 2014, por exemplo, o mercado brasileiro convivia com deterioração das expectativas econômicas e maior incerteza sobre política fiscal. Em 2018, a discussão envolvia agenda de reformas e recuperação econômica. Em 2022, juros elevados, inflação e tensão fiscal estavam no centro das atenções.

Já em 2026, o dado até agosto mostra um nível de volatilidade inferior ao dos anos eleitorais anteriores. Entretanto, essa fotografia pode mudar conforme o ciclo eleitoral avança.

Como interpretar a volatilidade em anos eleitorais?

Investidores e profissionais do mercado devem analisar a volatilidade em anos eleitorais com base em dados e comparações históricas. A interpretação precisa evitar generalizações, comparar ativos em diferentes moedas e observar janelas específicas.

A volatilidade calculada para um período mais longo pode esconder momentos de maior tensão próximos aos turnos, debates, pesquisas ou divulgação de propostas econômicas.

Também vale acompanhar indicadores complementares para contextualizar essa métrica na bolsa e identificar os fatores que influenciam os preços, como:

  • Curva de juros;
  • Dólar;
  • CDS;
  • Índices de inflação;
  • Desempenho setorial. 

Nesse contexto, profissionais do mercado podem usar o Quantum Axis para acompanhar séries históricas, comparar índices e analisar janelas específicas em diferentes moedas.

A plataforma permite contextualizar a volatilidade dos investimentos em anos eleitorais com dados padronizados, reduzindo a dependência de interpretações isoladas.

Você viu que anos eleitorais influenciam a volatilidade dos investimentos, mas que o efeito não é automático. O impacto depende do cenário fiscal, monetário, cambial e institucional, além das expectativas sobre a condução econômica após as eleições.

Quer acompanhar indicadores de mercado com dados confiáveis? Conheça o Quantum Axis e aprofunde suas análises de volatilidade, índices e ativos financeiros!

Resumindo

  • Anos eleitorais podem ampliar a incerteza e a oscilação dos ativos
  • A volatilidade dos investimentos depende do contexto econômico de cada ciclo
  • No Brasil, o Ibovespa apresentou níveis diferentes de volatilidade em 2014, 2018, 2022 e no recorte parcial de 2026
  • O Ibovespa em dólar incorpora o efeito cambial, sendo capaz de ampliar ou reduzir a volatilidade observada
  • Janelas próximas aos turnos eleitorais muitas vezes concentram maior volatilidade
  • A comparação com os Estados Unidos mostra que eventos econômicos são capazes de pesar mais que o calendário eleitoral
  • Dados históricos ajudam a interpretar anos eleitorais sem generalizações

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