Como guerras e conflitos afetam os mercados? Análise sobre índices globais

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Como guerras e conflitos afetam os mercados? Análise sobre índices globais

Como tensões geopolíticas afetam os mercados? Nos últimos cinco anos, os conflitos globais se acirraram, provocando a reação de bolsas, moedas e commodities. Especial da Infomoney, com estudo realizado pela Quantum, aborda o impacto desses eventos no mercado mundial e mecanismos de proteção para os investidores.  

Resumo  

Tensões geopolíticos elevam a volatilidade, mas seus impactos variam por evento. Commodities atreladas ao conflito, como o petróleo, reagem mais rápido. Já algumas bolsas podem mostrar mais resiliência, dependendo das relações comerciais com os países diretamente afetados.  

A história recente está cheia de conflitos globais. Desde a invasão da Ucrânia pela Rússia (2022) até a recente intervenção dos Estados Unidos na Venezuela (2026), os ativos sofrem oscilações, tornando o cenário geopolítico um fator de preocupação constante para analistas e gestores de recursos. 

Em relação aos investimentos, o problema central é como o investidor pode se proteger no aumento da volatilidade. E as informações se tornam cruciais para análise robusta.  

Guerras e conflitos afetam todos os mercados da mesma forma? 

Estudo feito pela Quantum Finance, empresa especializada em informações do mercado financeiro, mostra como cada um desses eventos impactou os diversos mercados. E a conclusão é que os efeitos são bem diferentes, o que dificulta uma ação preventiva dos investidores. 

O primeiro evento retratado é a invasão da Ucrânia pela Rússia, ocorrida em fevereiro de 2022. Os outros são a tensão entre China e Taiwan (2022), Hamas e Israel (2023) e, recentemente, o confronto entre Estados Unidos e Venezuela (2026). Os períodos analisados sempre incluíram desde dias anteriores até a semana seguinte ao início do conflito. 

No primeiro caso observado, a invasão russa teve maior impacto no petróleo, enquanto as bolsas pouco reagiram à guerra iminente. Já nas demais crises, o petróleo chegou a cair nos dias seguintes, mesmo quando envolviam o Oriente Médio, tradicional produtor e exportador.  

Já nos mercados acionários analisados, o efeito variou conforme região. As bolsas americanas resistiram aos impactos do início da guerra na Ucrânia, e subiram na crise entre China e Taiwan, enquanto Ibovespa disparou. Nos demais conflitos, os mercados acionários não reagiram tanto. 

Confira as variações entre os índices e moedas no resumo a seguir:  

Onde o investidor busca proteção? 

O tradicional “combo” cedeu o protagonismo. Enquanto instrumentos tradicionais, como o dólar e o tesouro norte-americano, perderam força, os metais preciosos permaneceram como ativos procurados para hedge. Outras moedas começam a despontar, como o franco suíço.  

O que chama mais a atenção nesse levantamento dos conflitos é que eles impactaram majoritariamente as commodities nas quais os países envolvidos têm algum tipo de interferência, seja na demanda, seja na oferta global, como petróleo e produtos agrícolas no caso da Guerra da Ucrânia, afirma João Daronco, analista da Suno Research, que também participou da matéria.  

Historicamente, eventos geopolíticos têm impactos limitados no mercado, observa Ermínio Lucci, CEO da corretora BGC Liquidez, ouvido pela Infomoney, “Fora as duas grandes guerras mundiais, em que você teve uma destruição gigantesca de capital humano e de infraestrutura, os confrontos nos últimos 30 anos trouxeram pouco impacto nos mercados e com duração limitada”, diz. 

E os principais ativos que reagiam a esses conflitos eram geralmente o petróleo, em especial em conflitos no Oriente Médio, por conta de uma possível ruptura do fornecimento. O especialista também enumera outros ativos que servem de hedge em estresses geopolíticos, como dólar, ouro e títulos do Tesouro americano.  

Houve, porém, uma mudança na forma como os investidores buscam se proteger nesses momentos de estresse, avalia Lucci. Nos últimos anos, o petróleo vem perdendo relevância na matriz de crescimento mundial. E, a partir de 2025, ficou claro no caso da ação militar americana na Venezuela que o dólar e os Treasuries também começam a perder essa correlação com a demanda de investidores por proteção nesses eventos.  

Isso exacerbou a busca por proteção em ouro e em outros metais como prata, cobre e metais raros, afirma Lucci. 

O confisco dos valores da Rússia no exterior também estimulou os bancos centrais a aumentar suas reservas em ouro, beneficiando o metal. 

Na busca por alternativas ao dólar, o especialista vê o franco suíço assumindo o papel de porto seguro. “Houve um rebalanceamento dessa demanda por hedge geopolítico que antes era dividido entre dólar e títulos americanos para metais em geral, franco suíço e um pouco de petróleo”, diz. “ 

Segundo Lucci, o Bitcoin chegou a ser visto como proteção, mas perdeu força diante das fortes oscilações, batendo US$ 126 mil e recuando para menos de US$ 70 mil. A grande volatilidade prejudica a avaliação sobre uma precificação adequada.

Como o investidor deve agir diante da volatilidade geopolítica? 

Priorize fundamentos e evite o efeito manada. Muitos choques geopolíticos são curtos e não alteram os fundamentos, e tentar antecipá-los costuma custar mais do que atravessá-los. 

Marcos Praça, da ZERO Markets, também consultado pelo veículo, destaca o papel da especulação e das emoções no caso das guerras e como elas acabam ampliando os movimentos de mercado, exigindo sangue-frio do investidor para evitar o efeito manada, a tendência de seguir a atitude da maioria.  

“A análise imediata é crua e o grande investidor olha o que realmente vai ser afetado, qual o impacto e puxa a especulação”, diz. O que ocorre na maioria dos casos é uma especulação puxada por investidores de curto prazo e que só terá efeito se o conflito ocorrer. 

Ele dá o exemplo do conflito no Irã e das ameaças dos Estados Unidos de atacar Teerã. “Tem impacto moral, social, mas não vai afetar os fundamentos das empresas nos EUA ou no Brasil”, diz.  

Para o profissional, o investidor precisa olhar justamente o que muda nos fundamentos da economia e das empresas e evitar a especulação e o efeito manada. 

Já Daronco reforça que a lição para o investidor é entender que previsão não necessariamente significa realização. E, muitas vezes, as pessoas perdem dinheiro ao tentar sair do mercado. “Vimos isso no fim de 2024, quando o receio com as contas públicas brasileiras fez o dólar disparar e a bolsa cair e muita gente vendeu ações e comprou dólar. Agora a Bovespa é uma das bolsas que mais sobe no mundo e o dólar está voltando para R$ 5,20”, diz. 

A segunda lição para o investidor é tomar cuidado tanto em momentos de estresse como de euforia. “O mercado como um todo é muito exagerado tanto para o lado positivo quanto para o negativo e o investidor não deve se deixar levar, não deve entrar nas ondas, o que é uma reação normal do ser humano, de seguir o grupo, o efeito manada, de ver todo mundo correndo e sair correndo também”, conclui. 

Dados: mecanismo de proteção 

Acessar as informações corretas e com celeridade traz maior embasamento ao investidor. A Quantum é a plataforma de informações financeiras e ferramentas analíticas mais usada por profissionais do mercado financeiro para tomada de decisão. Além de índices nacionais e globais, o usuário acessa todos os ativos e conta com funcionalidades de comparação, indicadores e séries históricas.  

Saiba qual solução adequada aqui 

Confira a matéria: 

  • Autor: Angelo Pavini 
  • Fonte: InfoMoney– Publicado em 11/2/2026 

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