Com o crédito privado ainda brilhando no cenário de Selic a 15%, as debêntures – títulos de dívida emitidos por empresas – se destacam na carteira de investidores e fundos.
Só no primeiro semestre de 2025 as empresas emitiram R$ 192,7 bilhões, segundo a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). As debêntures incentivadas avançaram 5,3%, totalizando R$ 74,5 bilhões, o maior patamar de captação semestral já registrado.
Nesse cenário, a Quantum levantou para a Exame os papéis preferidos dos gestores na hora de compor a carteira dos fundos que administram. O mapeamento reflete algumas estratégias nos portfólios, além de empresas e setores mais valorizados no momento.
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Debêntures mais compradas – por volume financeiro
O estudo da Quantum mostrou o ranking dos papéis de dívidas mais adquiridos por fundos até 30 de abril (dados mais recentes). Todo o top 3 é composto por títulos com investimento superior a R$ 4 bilhões cada. O setor financeiro é preponderante, sendo duas debêntures da Cielo figurando no top 10. Veja:
Emissor | Setor | Debênture | Ticker | Valor investido* |
B3 S.A. – BRASIL BOLSA BALCAO | Financeiro | B3 BRASIL BOLSA BALCÃO – DI + 0.62% | BSA318 | R$ 4.714.902.726,05 |
CIELO S.A. | Financeiro | CIELO INSTITUIÇÃO DE PAGAMENTO – DI + 0.54% | CIEL17 | R$ 4.642.153.608,04 |
COMPANHIA HIDRO ELETRICA DO SAO FRANCISCO – CHESF | Energia Elétrica | COMPANHIA HIDRO ELÉTRICA DO SÃO FRANCISCO – IPCA + 6.767% | CHSF13 | R$ 4.106.474.693,86 |
TIM BRASIL SERVICOS E PARTICIPACOES S.A | Empreendimentos e Participações | TIM BRASIL SERVIÇOS E PARTICIPAÇÕES – DI + 2.3% | TBSP11 | R$ 3.532.669.234,29 |
CIELO S.A. | Financeiro | CCR AUTOBAN CONCESSIONÁRIA DO SISTEMA ANHANGUERA-BANDEIRANTES – DI + 2.14% | CIEL16 | R$ 2.993.551.714,60 |
CENTRAIS ELETRICAS BRASILEIRAS SA ELETROBRAS | Energia Elétrica | CENTRAIS ELÉTRICAS BRASILEIRAS ELETROBRAS – 20280915 – DI + 1.55% | ELET24 | R$ 2.976.472.139,49 |
EUROFARMA LABORATORIOS S.A | Indústria e Comércio | EUROFARMA LABORATÓRIOS – 20310318 – DI + 1.3% | EUFA17 | R$ 2.889.169.269,88 |
CONCESSIONARIA DO SISTEMA ANHANGUERA-BANDEIRANTES S/A | Transporte e Logística | CONCESSIONÁRIA DO SISTEMA ANHANGUERA-BANDEIRANTES – DI + 2.14% | ANHBA4 | R$ 2.794.249.817,24 |
REDE DOR SAO LUIZ S/A | Assistência Médica | REDE D’OR SÃO LUIZ – DI + 0.65% | RDORC4 | R$ 2.778.611.196,80 |
NOVA TRANSPORTADORA DO SUDESTE S.A. – NTS | Petróleo e Gás | NOVA TRANSPORTADORA DO SUDESTE – NTS – DI + 1.4% | NTSD26 | R$ 2.761.225.815,59 |
Debêntures mais compradas – por número de fundos
Já em relação à abrangência dos papéis por fundos, o setor de energia elétrica é prevalente. Neste ranking nenhum emissor se repete, sendo que três papéis estão presentes nos dois rankings – sendo o TBSP11 campeão em número de fundos compradores. Confira o ranking:
Emissor | Setor | Ticker | Debênture | Quantidade de fundos compradores |
TIM BRASIL SERVICOS E PARTICIPACOES S.A | Empreendimentos e Participações | TBSP11 | TIM BRASIL SERVIÇOS E PARTICIPAÇÕES – DI + 2.3% | 672 |
CENTRAIS ELETRICAS BRASILEIRAS SA ELETROBRAS | Energia Elétrica | ELET24 | CENTRAIS ELÉTRICAS BRASILEIRAS ELETROBRAS – DI + 1.55% | 564 |
CONCESSIONARIA DE RODOVIAS DO INTERIOR PAULISTA S/A | Transporte e Logística | IVIAA0 | ARTERIS INTERVIAS – CONCESSIONÁRIA DE RODOVIAS DO INTERIOR PAULISTA – IPCA + 6.8672% | 547 |
COMERC ENERGIA S.A. | Energia Elétrica | COMR14 | COMERC ENERGIA – IPCA + 7.9171% | 540 |
UTE GNA I GERACAO DE ENERGIA S.A. | Energia Elétrica | UNEG11 | UTE GNA I GERAÇÃO DE ENERGIA – IPCA + 5.92% | 536 |
IGUA RIO DE JANEIRO S.A. | Saneamento | IRJS14 | IGUA RIO DE JANEIRO – IPCA + 8.2% | 534 |
COMPANHIA HIDRO ELETRICA DO SAO FRANCISCO – CHESF | Energia Elétrica | CHSF13 | COMPANHIA HIDRO ELÉTRICA DO SÃO FRANCISCO – IPCA + 6.767% | 505 |
AGUAS DO RIO 4 SPE S.A | Saneamento | RIS424 | ÁGUAS DO RIO 4 SPE – IPCA + 7.692% | 499 |
ENERGISA S.A. | Energia Elétrica | ENGI11 | ENERGISA – DI + 2% | 497 |
PRIO FORTE S.A. | Petróleo e Gás | PEJA22 | PRIO JAGUAR PETRÓLEO – IPCA + 6.4662% | 491 |
Setores como telecomunicações, serviços financeiros e energia se destacam pela atratividade junto aos investidores. “Quando você compra crédito privado, você está comprando dívida de empresas e minimamente você precisa ter na carteira empresas que tenham alta previsibilidade na sua capacidade de geração de caixa e recorrência nas suas atividades”, afirma Marcos Moreira, sócio da WMS Capital, ouvido pela reportagem da Exame.
No setor elétrico, empresas como Chesf, Eletrobras e Comerc oferecem previsibilidade de caixa por meio de contratos de longo prazo, sustentados por concessões e PPAs (Contrato de Compra e Venda de Energia). “Na prática, são setores vistos como defensivos e estratégicos, com risco de crédito relativamente baixo, mas que ainda carregam prêmios interessantes”, atesta o especialista.
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O futuro das debêntures
Com a já precificada queda da Selic e a possibilidade do fim da isenção do Imposto de Renda (IR) para debêntures incentivadas, o cenário pode mudar. Para o executivo ouvido pela reportagem, poderemos ver uma queda no fluxo de demanda por esses papéis, visto que esse incentivo deixará de acontecer — apesar de ainda terem alíquotas menores que outros investimentos.
“Com a queda da Selic, os investidores passam eventualmente a buscar melhores alternativas ou ativos que eventualmente possam pagar um prêmio de risco maior. No entanto, que isso pode trazer uma retomada na abertura dos spreads de crédito”, diz o Moreira, citando que os prêmios estão amassados devido à alta demanda por esses papéis.
Outros especialistas consultados acreditam que o futuro das debêntures no Brasil segue promissor, com o instrumento se consolidando como um canal relevante de funding para empresas, em substituição gradual ao crédito bancário. A tendência é de maior sofisticação e segmentação do mercado, com investidores direcionando recursos para emissores de melhor rating ou projetos específicos, como infraestrutura, verdes e ESG.
Por dentro do mercado de crédito privado
O mercado de crédito privado vive uma fase aquecida e é atualmente um assunto bastante demandado dentro do setor financeiro.
A base de soluções Quantum monitora centenas de milhares de títulos privados. São mais de 226.000 papéis formados por CRIs, CRAs, CDBs, LCAs, LCIs e outras operações.
Dentro da nossa plataforma, também acompanhamos mais de 7.300 debêntures, entre públicas e privadas.
E as informações que disponibilizamos são as mais diversas. Você consegue resgatar séries históricas, fazer uma avaliação de performance, ver emissões de títulos e muito mais.
CONFIRA A REPORTAGEM COMPLETA:
Matéria: As debêntures mais compradas por gestores profissionais: vale a pena investir?
Autor: Rebecca Crepaldi
Por: Exame– Publicado em 23/08/2025
Informações Financeiras: Quantum Finance