A associação automática entre mercado cripto e volatilidade é comum, mesmo entre participantes experientes do mercado financeiro. No entanto, esse enquadramento tende a ignorar o papel das stablecoins como instrumentos operacionais de liquidez, transferência de recursos e gestão de caixa.
Para investidores institucionais, elas vêm sendo observadas como uma infraestrutura alternativa para a movimentação de capital. Com o amadurecimento do ecossistema cripto e o avanço de discussões regulatórias, as stablecoins têm sido utilizadas, em determinadas estruturas, como ponte entre mercados tradicionais e digitais.
Este artigo mostra como esses ativos funcionam, seus potenciais usos institucionais e os principais riscos envolvidos. Acompanhe a leitura!
Como as stablecoins funcionam?
Stablecoins são ativos digitais projetados para manter paridade com uma moeda fiduciária, geralmente o dólar norte-americano. Essa característica pode ser sustentada por diferentes mecanismos, que variam conforme o modelo do emissor e a arquitetura do ativo.
As stablecoins lastreadas em moedas fiduciárias são as mais utilizadas no mercado institucional. Nesse modelo, em tese, cada unidade emitida corresponde a ativos de reserva mantidos pelo emissor.
Há ainda estruturas lastreadas em commodities — como ouro, prata e petróleo — e as colateralizadas por criptoativos. Existem também os modelos algorítmicos, historicamente mais sensíveis a choques de confiança.
Para o investidor profissional, um dos pontos centrais na análise costuma ser a previsibilidade operacional. Stablecoins funcionam como unidades de conta digitais estáveis em infraestruturas que operam 24/7, com liquidação praticamente imediata e alcance global.
Qual é a diferença entre stablecoins e criptomoedas?
Um erro recorrente na análise de stablecoins costuma ser tratá-las como parte homogênea do ecossistema cripto ou avaliá-las apenas sob a ótica da volatilidade de preços. Diferentemente de outras criptomoedas, como bitcoin ou ether, stablecoins não têm como objetivo a captura de valorização estrutural.
Seu papel tem sido predominantemente funcional. Enquanto outras criptomoedas estão mais expostas a risco de mercado, oscilação de preço e ciclos especulativos, stablecoins operam como infraestrutura financeira.
Há também uma diferença relevante em termos de previsibilidade operacional e segurança das transações. Estudos recentes indicam que aproximadamente 99% da atividade envolvendo stablecoins é lícita, refletindo o avanço dos mecanismos de monitoramento, compliance e rastreabilidade das operações.
Com o fortalecimento desses controles, agentes mal-intencionados tendem a migrar para outros instrumentos. Enquanto isso, o mercado institucional passou a adotar stablecoins mais amplamente, sobretudo para fins operacionais.
Essa distinção é relevante para a alocação, mensuração de risco e enquadramento regulatório em portfólios institucionais. Ignorar essa diferença compromete a análise e a tomada de decisão.
Quais são as possíveis oportunidades ligadas a stablecoins?
No mercado, stablecoins têm sido utilizadas como instrumentos operacionais em estruturas institucionais que demandam agilidade, liquidez e eficiência de caixa.
Além do uso funcional, a própria expansão da adoção institucional pode ser vista como uma oportunidade. Isso porque, à medida que os volumes transacionados crescem, a tendência é que mais bancos passem a considerar stablecoins em seus processos operacionais.
Descubra as principais frentes de uso institucional das stablecoins!
Liquidez na gestão de caixa
No mercado institucional, stablecoins cumprem uma função semelhante à de um caixa em moeda forte no ambiente digital. Entretanto, elas permitem realocação rápida de recursos entre plataformas, mercados e jurisdições e execução de pagamentos e remessas.
Isso ocorre sem depender dos horários, prazos e intermediários do sistema bancário tradicional. Em determinadas estratégias, stablecoins tendem a reduzir fricções operacionais quando há exigências como:
- resposta rápida a eventos de mercado;
- pagamentos e remessas internacionais;
- arbitragem entre ativos;
- rebalanceamentos frequentes;
- acesso à liquidez fora do horário bancário.
Elas também facilitam a segregação de recursos em estruturas que operam simultaneamente em mercados tradicionais e cripto.
Exposição cambial ao dólar
Em mercados com histórico de volatilidade cambial ou restrições operacionais, stablecoins costumam ser utilizadas como instrumento tático de exposição ao dólar. Embora não substituam práticas formais de hedge cambial, elas podem funcionar como alternativa operacional para manter recursos denominados em moeda forte.
Nesse contexto, a stablecoin pode funcionar como meio de custódia transitória de valor, com simplicidade operacional, liquidez contínua e possibilidade de movimentação imediata entre ambientes distintos.
Quais são os principais riscos do uso institucional de stablecoins?
Apesar dos benefícios operacionais, o uso de stablecoins envolve riscos que exigem monitoramento contínuo.
Confira cada um dos principais pontos de atenção.
Risco de emissor
Um dos principais pontos de atenção ao operar stablecoins é o risco de emissor. A qualidade, a liquidez e a transparência das reservas são determinantes para a confiança do mercado, especialmente em cenários de estresse.
Risco de liquidez
Há também risco de liquidez em eventos extremos, quando solicitações simultâneas de resgate pressionam a capacidade operacional do emissor. Embora stablecoins sejam projetadas para liquidez imediata, esse atributo depende da conversibilidade efetiva das reservas.
Risco regulatório
O risco regulatório é outro fator a considerar. Diferentes jurisdições avançam em velocidades distintas na definição de regras para emissão, custódia e uso de stablecoins. Mudanças na lei podem afetar tanto a disponibilidade quanto a atratividade desses instrumentos em determinados mercados.
No Brasil, esse debate ganhou contornos mais claros com o avanço da regulação conduzida pelo Bacen. A partir de 2026, prestadoras de serviços com criptoativos passam a operar sob sua supervisão direta, com exigências de capital, governança, segregação patrimonial e controles de risco.
No caso das stablecoins, o regulador tem dado atenção às transações, aproximando parte dessas operações do regime de câmbio. O movimento tende a reduzir assimetrias, aumentar a rastreabilidade e trazer maior segurança jurídica ao uso institucional, ainda que imponha requisitos operacionais e de compliance.
O que indicam os dados recentes de desempenho das stablecoins?
Do ponto de vista empírico, os dados reforçam o papel das stablecoins como instrumentos de liquidez e gestão de caixa — e não como ativos de risco direcional. Stablecoins amplamente utilizadas pelo mercado institucional apresentaram comportamento consistente e variações próximas à paridade com o dólar.
Isso é o que mostram os levantamentos realizados por meio da plataforma da Quantum, considerando de 1º de janeiro a 31 de dezembro de 2025.
Observe as variações das principais stablecoins atreladas ao dólar:
| Stablecoin | Variação entre 01/01/2025 e 31/12/2025 |
| Tether (USDT) | 0,04% |
| Dai (DAI) | -0,05% |
| TerraClassicUSD (USTC) | -66,99% |
| TrueUSD (TUSD) | -0,19% |
| Binance USD (BUSD) | -0,14% |
| USD Coin (USDC) | -0,03% |
Os dados evidenciam estabilidade operacional para stablecoins lastreadas, com oscilações mínimas ao longo do ano. Esse comportamento é compatível com a função atribuída a esses ativos como instrumentos de liquidez e transferência de recursos.
O contraste aparece em estruturas que falharam em governança e reservas. A stablecoin algorítmica TerraClassicUSD (USTC) acumulou queda de 66,99% no ano. O movimento evidencia que o risco não está na paridade em si, mas no modelo de sustentação do ativo.
Essa diferença de comportamento foi capturada de forma histórica e comparável nos dados coletados na plataforma da Quantum. Ela ajuda a explicar por que, no mercado, o uso institucional tende a se concentrar em stablecoins lastreadas, com reservas auditáveis e ampla aceitação.
Qual é a importância da infraestrutura de dados para análise?
O uso institucional de stablecoins exige dados confiáveis, históricos consistentes e capacidade de comparação entre emissores e períodos. Monitorar estabilidade, desvios de paridade, liquidez e eventos relevantes depende de bases bem estruturadas e processos de verificação robustos.
Informações fragmentadas ou não padronizadas aumentam o risco operacional e dificultam a leitura integrada do mercado.
Nesse cenário, soluções voltadas à consolidação de dados, séries históricas e métricas contribuem para análises mais consistentes. Esse é o caso de plataformas como o Quantum Axis.
Ele organiza e padroniza informações de mercado, permitindo ações como:
- acessar séries históricas comparáveis;
- monitorar retornos, volatilidade e desvios de comportamento entre diferentes stablecoins e outras moedas;
- integrar essas informações a outros ativos financeiros.
Isso reduz o risco de análises baseadas em recortes pontuais ou fontes isoladas. Ao centralizar dados confiáveis e consistentes, o Quantum viabiliza uma leitura mais precisa do papel das stablecoins na estratégia de liquidez, hedge cambial ou transição entre mercados tradicionais e cripto.
Stablecoins não são isentas de riscos, porém, quando utilizadas com disciplina e critério, elas demonstram potencial para oferecer ganhos de eficiência operacional. Aproveitando as informações vistas e o apoio de dados confiáveis, você pode realizar uma avaliação mais embasada da relevância desses ativos em sua estratégia.
Quer acompanhar dados históricos, comportamento de mercado e métricas relevantes sobre stablecoins e outros instrumentos de liquidez? Conheça o Quantum Axis!



