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IPCA+8,5%: CDBs de inflação superam pós-fixados

Resumo: Levantamento da Quantum Finance sobre títulos de renda fixa emitidos em maio de 2026 mostra que os CDBs atrelados à inflação estão pagando taxas acima de IPCA+8%, acima do evidenciado no mês anterior. Já os títulos pós-fixados continuam pagando, em média, taxas abaixo do CDI, com exceção dos papéis com vencimento de 36 meses.  O conteúdo também apresenta as taxas dos títulos prefixados. Especialistas ouvidos pela InfoMoney comentam o cenário.  


 

No mercado financeiro, os CDBs (Certificados de Depósitos Bancários) registraram uma mudança importante em maio. Enquanto os títulos atrelados à inflação ganharam protagonismo com taxas reais elevadas, os papéis pós-fixados enfrentaram um cenário de rentabilidades médias abaixo do índice de referência, acendendo um sinal de alerta para a eficiência da alocação. Para quem busca rendimento em renda fixa, a avaliação criteriosa das taxas e do emissor ganhou ainda mais relevância. 

De acordo com levantamento da Quantum Finance para o InfoMoney, os CDBs pós-fixados com vencimento entre 3 e 24 meses apresentaram taxas médias abaixo do CDI, o que levanta questionamentos sobre a atratividade desses papéis.  

Esse cenário já havia sido observado no mês anterior, sinalizando uma reversão em relação ao que se via no início de 2026, quando as taxas estavam mais atrativas.  

Quanto pagaram os CDBs atrelados à inflação em maio?  

Os títulos atrelados ao IPCA foram os destaques positivos de maio. A taxa média para o prazo de 12 meses atingiu IPCA + 8,09%, ante 7,99% em abril, enquanto para 36 meses a taxa média ficou em 7,93% contra 7,70% um mês antes. 

Em maio, foram emitidos 373 títulos, e o banco Haitong do Brasil foi a instituição oferecendo a maior taxa em todos os vencimentos. Confira o panorama do mercado: 

 

Retornos de CDBs indexados à inflação (29/04/2026 – 29/05/2026) 
prazo (meses)  taxa mínima  taxa média  taxa máxima  número de títulos  emissor da maior taxa 
12  7,28%  8,09%  8,59%  127  HAITONG BANCO DE INVESTIMENTO DO BRASIL 
24  7,00%  7,88%  8,38%  121  HAITONG BANCO DE INVESTIMENTO DO BRASIL 
36  7,01%  7,93%  8,45%  125  HAITONG BANCO DE INVESTIMENTO DO BRASIL 

 

Robson Casagrande, sócio da GT Capital consultado pela publicação, aponta que só vale a pena para investidor adquirir um CDB se o prêmio for acima do Tesouro Selic. 

CDBs pós-fixados; retornos abaixo do CDI em maio  

Mais um mês com remunerações mais tímidas para os papéis indexados ao CDI.  

Para Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, o investidor deve ser criterioso com esses títulos, já que papéis abaixo de 100% do CDI em ambiente de juros ainda elevados e com várias alternativas “não faria sentido”.  Ao aceitar retorno inferior, o investidor incorre em perda real de eficiência de alocação sem contrapartida relevante de risco. 

Veja as remunerações dos 348 papéis emitidos: 

Retornos de CDBs indexados ao CDI (29/04/2026 – 29/05/2026) 
prazo (meses)  taxa mínima  taxa média  taxa máxima  número de títulos  emissor da maior taxa 
3  97,50%  99,93%  106,00%  46  PARANA BANCO 
6  97,50%  99,41%  106,90%  48  QISTA – CREDITO FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO 
12  90,00%  99,22%  108,50%  102  PARANA BANCO 
24  95,00%  99,28%  101,30%  68  CAIXA ECONOMICA FEDERAL 
36  98,00%  100,31%  104,00%  84  STONE SOCIEDADE DE CREDITO FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO 

CDBs prefixados em abril  

Os títulos prefixados também viram suas taxas subirem em maio. A taxa média para o prazo de 36 meses subiu de 13,73% em abril para 14,06% em maio, com taxas máximas chegando a 14,70%. 

238 títulos foram emitidos no período, com instituições menores disputando o mercado ao oferecerem melhores taxas. Veja:  

Retornos de CDBs prefixados (29/04/2026 – 29/05/2026) 
prazo (meses)  taxa mínima  taxa média  taxa máxima  número de títulos  emissor da maior taxa 
6  13,38%  13,56%  13,82%  18  BANCO ABC BRASIL 
12  13,19%  13,70%  14,34%  43  BANCO GM 
24  12,93%  13,87%  14,32%  79  HAITONG BANCO DE INVESTIMENTO DO BRASIL 
36  13,31%  14,06%  14,70%  98  SINOSSERRA FINANCEIRA – SOCIEDADE DE CREDITO FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO 

Perspectivas dos CDBs para junho de 2026  

Para este mês, os especialistas projetam a manutenção das taxas. “As janelas de juro real de 8% e prefixado de 14% existem hoje porque o cenário está incerto; quando a incerteza ceder, elas fecham”, diz Casagrande. 

Sidney Lima prevê uma “tendência de estabilidade a leve compressão nas taxas, refletindo menor pressão de captação dos bancos e expectativa de continuidade do processo de normalização monetária”. Já Felipe Castello Branco reforça que a dinâmica dependerá do cenário fiscal e político: “o mais importante é manter cautela e priorizar diversificação e proteção de capital em vez de tentar antecipar movimentos de curto prazo”. 

Confira a matéria:   
  • Matéria: Até IPCA+8,5%? CDBs de inflação crescem e ofuscam papéis atrelados ao CDI 
  • Autor:  Leonardo Guimarães 
  • Fonte: InfoMoney– Publicado em 04/06/2026

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