CDBs emitidos em março rendem mais; confira taxas

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CDBs emitidos em março rendem mais; confira taxas

Levantamento da Quantum Finance sobre títulos de renda fixa emitidos em março mostra que os CDBs ofereceram remuneração maior em março de 2026 do que os emitidos no mês anterior. Nos papéis que pagam %CDI, a média da remuneração das emissões de bancos pequenos e médios com vencimento entre três e 12 meses foi de 102,2% do CDI, contra 101,4% em fevereiro. Já entre os bancos grandes, as taxas oferecidas aos investidores ficaram em 98,3% do CDI. O conteúdo também apresenta as taxas dos títulos indexados à inflação e os prefixados. Especialistas ouvidos pela InfoMoney comentam o cenário. 


 

O cenário de março — marcado pelos conflitos geopolíticos no Oriente Médio e seus reflexos na economia nacional — impulsionou as taxas dos Certificados de Depósito Bancário (CDBs) emitidos no mês. Tanto instituições maiores, classificadas como S1 pelo Banco Central, quanto as intermediárias aumentaram as suas remunerações.  

Pressionados por um cenário externo adverso e por incertezas fiscais domésticas, os bancos precisaram elevar os prêmios oferecidos nesses títulos para atrair investidores. O levantamento, de autoria da Quantum Finance, foi publicado em diversos portais, como Infomoney e InvestNews.  

Quanto pagaram os CDBs em março?  

O movimento afetou todas as classes de papéis, desde os pós-fixados até os indexados à inflação, que chegaram a bater taxas médias acima de IPCA + 7,8% ao ano. 

Conforme apurado pelo InfoMoney, a abertura nas taxas foi um reflexo de uma conjunção de fatores globais e locais que forçaram a curva de juros para cima.  

Edson Mendes, sócio-fundador da Private Investimentos, ouvido pela publicação, aponta que o gatilho principal foi a aversão ao risco gerada pelo conflito entre Irã e Estados Unidos. “Com os efeitos da inflação, o mercado passa a entender que teremos juros maiores por maior tempo, reprecificando toda a curva”, diz o especialista. 

Bruno Corano, CEO da Corano Capital, destaca que as dúvidas sobre o controle da dívida pública brasileira cresceram: “os bancos passam a competir com o Tesouro, e se veem obrigados a pagar mais”. 

Leia também: Com queda nos retornos, CDBs entram na mira do Tesouro Reserva 

 

CDBs indexados ao CDI  

Foram emitidos 229 títulos, 25% a mais do que no mês anterior. A maior concentração foi no prazo de 12 meses (90), seguido pelos papéis com vencimento em 36 meses (62).  

O InvestNews chamou a atenção para a diferença de estratégia das instituições nos títulos indexados ao CDI.  

Ao longo de março, a média da remuneração das emissões de bancos pequenos e médios com vencimento entre três e 12 meses foi de 102,2% do CDI, contra 101,4% em fevereiro.  

Já entre os bancos grandes, as taxas oferecidas aos investidores ficaram em 98,3% do CDI, em média, em linha com as emissões do mês anterior. 

Em praticamente todos os prazos das emissões dos pequenos, médios e grandes bancos houve aumento das taxas. 

CDBs – %CDI  – Emissões Março 2026 
Prazo (meses)  Pequenos e médios  Grandes (S1) 
3  103,10%  99,79% 
6  102,05%  101,00% 
12  101,74%  95,94% 
24  102,58%  100,10% 

 

Veja a comparação das taxas entre os dois últimos meses: 

CDBs – %CDI 
Prazo (meses)  Taxa Média Março   Taxa Média Fevereiro 
3  102,44%  101,17% 
6  101,87%  101,86% 
12  100,78%  100,09% 
24  102,33%  100,90% 

 

A emissão com maior taxa no mês passado foi do Banco BMG, com 111% do CDI, enquanto a Caixa Econômica emitiu títulos a 90% do CDI. 

Entre os títulos bancários que pagam DI+, apenas bancos pequenos e médios fizeram novas emissões, com uma taxa média de CDI + 0,37% para vencimentos entre três e 12 meses. É um percentual levemente abaixo das emissões em fevereiro, quando estavam em CDI + 0,39%. 

 

CDBs atrelados à inflação  

Com as taxas dos papéis atrelados à inflação atingindo patamares médios de IPCA + 7,81% para prazos mais longos, o consenso entre os especialistas é de que se trata de há uma oportunidade histórica, mas que exige cautela.   

Para Harrison Gonçalves, analista CFA ouvido pelo InfoMoney, o nível atual de juro real é atrativo, mas tende a ser transitório, já que pode não ser sustentável para o país conviver por muito tempo com um patamar tão elevado, visto que a taxa de equilíbrio gira em torno de 4,5% a 5%. 

Corano concorda que prêmios acima de IPCA + 6% já são considerados muito atrativos no Brasil, mas alerta para riscos essenciais antes de o investidor tomar uma decisão. 

O primeiro deles é o risco do emissor, já que o CDB não é soberano e a garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) é limitada a R$ 250 mil por CPF. O segundo ponto é o prazo, pois papéis muito longos, acima de quatro anos, têm alta sensibilidade aos juros e forte impacto de marcação a mercado caso haja necessidade de resgate antecipado. 

225 papéis foram emitidos no mês de março, a uma taxa média de IPCA+7,99%. Os títulos com vencimento em 12 meses tiveram remunerações mais agressivas, em média.  

Confira o panorama geral:   

CDBs atrelados ao IPCA – Emissões Março 2026 
Prazo (meses)  Taxa mínima   Taxa média   Taxa máxima   Número de títulos  Emissor da maior taxa 
12  7,48%  8,45%  9,22%  122  Haitong Brasil 
24  7,06%  7,81%  8,45%  66  Haitong Brasil 
36  7,06%  7,72%  8,37%  67  Haitong Brasil 

 

CDBs prefixados  

Os títulos prefixados também sofreram reprecificação, com papéis para 24 meses saltando de uma taxa média de 12,32% em fevereiro para 13,22% em março.   

No entanto, os especialistas ouvidos pelo InfoMoney apontam os riscos de se investir nesses papéis, apontando que os prefixados são os que sempre mais sofrem em cenários de deterioração fiscal ou estresse inflacionário, podendo impactar no retorno real esperado.  

Confira o panorama das emissões no mês:  

CDBs prefixados –  Emissões Março 2026 
Prazo (meses)  Taxa mínima   Taxa média   Taxa máxima   Número de títulos  Emissor da maior taxa 
3  15,35%  15,40%  15,44%  2  Santander Brasil 
6  13,32%  13,73%  14,70%  19  Goldman Sachs do Brasil 
12  12,85%  13,55%  14,44%  41  Haitong Brasil 
24  12,30%  13,22%  14,26%  36  Haitong Brasil 
36  12,29%  13,48%  14,20%  30  Haitong Brasil 

 

Dados: mecanismo de proteção 

Acessar as informações corretas e com celeridade traz maior embasamento ao investidor. A Quantum é a plataforma de informações financeiras e ferramentas analíticas mais usada por profissionais do mercado financeiro para tomada de decisão. Além de emissões de títulos de renda fixa, o usuário acessa todos os ativos e conta com funcionalidades de comparação, indicadores e séries históricas. 

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Confira as matérias: 

Matéria: CDBs emitidos em março pagaram taxas maiores – e a culpa é da turbulência global 

Autor: Juliana Machado 

Fonte: InvestNews– Publicado em 6/4/2026 

 

Matéria: Guerra e risco fiscal impulsionam taxas dos CDBs em março; o que esperar para abril? 

Autor: Leonardo Guimarães 

Fonte: InfoMoney– Publicado em 8/4/2026

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