Este conteúdo aborda o tracking error e o tracking difference na análise da aderência de ETFs ao índice de referência. O artigo também explora fatores que influenciam o desempenho desses fundos, como custos, método de replicação, rebalanceamentos, tratamento de dividendos e hedge cambial. O texto apresenta uma comparação dos retornos de ETFs que acompanham o Ibovespa para mostrar, na prática, como veículos com o mesmo benchmark podem apresentar resultados distintos.
O desempenho de um ETF não depende apenas do índice que ele acompanha. Ainda que dois fundos utilizem o mesmo benchmark, particularidades na estrutura e na operação de cada veículo financeiro podem resultar em retornos distintos ao longo do tempo.
Desse modo, tracking difference e tracking error ajudam a analisar a aderência do ETF ao índice de referência, oferecendo perspectivas diferentes sobre essa relação.
Neste artigo, você verá, na prática, como essas métricas se distinguem e o que explica os desvios entre ETFs atrelados ao mesmo índice. Boa leitura!
Como tracking difference e tracking error se distinguem?
O tracking difference olha para a variação de retorno em determinado período. Ele é calculado pela distância entre o retorno total do ETF e o retorno total do índice no período analisado. Um resultado negativo indica que o ETF ficou abaixo do benchmark. Se a métrica for positiva, sinaliza desempenho superior.
Enquanto isso, o tracking error mede a variabilidade dessa diferença ao longo do tempo. Na definição formal, ele corresponde ao desvio-padrão anualizado das divergências entre os retornos do ETF e do índice.
Assim, enquanto o tracking difference mostra o tamanho do desvio, o tracking error revela quanto esse desvio oscila em certo intervalo de tempo.
Entender a definição de cada um desses indicadores e como eles se distinguem orienta a forma como cada métrica entra na análise.
O tracking difference permite observar diretamente o resultado acumulado de um ETF em relação ao índice. Por sua vez, o tracking error acrescenta uma dimensão de consistência, mostrando se essa distância permanece relativamente estável ou se apresenta maior oscilação.
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Por que ETFs que seguem o mesmo índice têm resultados diferentes?
Seguir o mesmo índice não significa entregar exatamente o mesmo retorno, como visto. O benchmark funciona como referência para a carteira, mas cada ETF possui uma estrutura própria para reproduzi-lo.
Por isso, é comum dois fundos vinculados a determinado índice apresentarem diferenças de desempenho no mesmo período.
Descubra quais pontos influenciam o resultado!
Taxa de administração
A taxa de administração afeta diretamente o retorno do ETF em relação ao índice de referência. Como o benchmark não incorpora as despesas do ETF, essa cobrança representa um arrasto recorrente sobre o retorno do fundo.
A magnitude do efeito depende da taxa cobrada e da interação com os demais custos do veículo coletivo financeiro.
Método de replicação
O método usado para reproduzir o índice interfere na diferença entre o retorno do ETF e o benchmark. Na replicação física completa, o fundo mantém os ativos que compõem o índice nas proporções correspondentes.
Já na replicação física por amostragem, ele seleciona uma parcela representativa da carteira. Nesse segundo caso, as divergências entre os ativos mantidos pelo ETF e a composição completa do índice tendem a afetar a aderência ao benchmark.
Em mercados que permitem a prática, outra possibilidade é a replicação sintética, em que a exposição ao índice é obtida por meio de instrumentos financeiros, como swaps. A estrutura introduz outros elementos na relação entre o fundo e o benchmark, incluindo os custos associados aos instrumentos utilizados.
Rebalanceamentos do índice
Quando a composição do benchmark muda, o ETF precisa ajustar sua carteira — a execução das compras e vendas necessárias envolve custos de negociação. Além disso, o timing não é igual, pois o índice incorpora a alteração de forma teórica, enquanto o fundo tem que realizar operações para adequar seu portfólio.
Essas divergências na execução das operações acabam contribuindo para a variação do desvio entre o ETF e o índice ao longo do tempo.
Tratamento dos dividendos
O tratamento dos dividendos é outro elemento capaz de afetar o retorno do ETF em relação ao seu índice de referência. Em índices de retorno total, os proventos distribuídos pelos componentes entram no cálculo do indicador. É o que ocorre com o Ibovespa, por exemplo.
No ETF, o processo ocorre de maneira operacional. O fundo recebe os dividendos pagos pelas empresas cujas ações estão em sua carteira. Esses recursos são reinvestidos no próprio portfólio ou distribuídos aos cotistas, conforme as regras do veículo financeiro.
A divergência entre o momento em que o provento entra no cálculo do índice e a hora em que o ETF recebe e utiliza o recurso pode afetar a aderência entre os dois retornos.
Hedge cambial
ETFs com exposição a ativos estrangeiros muitas vezes utilizam hedge cambial para reduzir o efeito das variações das moedas sobre o retorno. A proteção costuma ser feita com instrumentos como contratos a termo de câmbio, ajustados periodicamente para manter a exposição protegida próxima do nível definido pela estratégia.
A implementação do hedge envolve custos de negociação e o diferencial de juros entre as moedas, além de variações no percentual efetivamente protegido e no momento dos ajustes.
Entre esses ajustes, a exposição cambial do fundo pode se afastar temporariamente do nível de proteção definido pela estratégia ou pela metodologia do benchmark.
Em produtos com exposição internacional, o hedge cambial entra na análise da aderência ao benchmark e do comportamento do tracking error.
O que os ETFs do Ibovespa mostram sobre as diferenças de retorno?
A comparação entre ETFs que acompanham o mesmo índice mostra que a diferença de retorno é capaz de apresentar magnitudes e direções distintas. No recorte da Quantum, que considera os 60 meses corridos entre 5 de setembro de 2021 e 4 de setembro de 2026, o Ibovespa acumulou retorno de 58,34%.
Observe o comportamento de ETFs que usam o IBOV como benchmark:
| ETF | Retorno em 60 meses (05/09/2021 até 04/09/2026) | Diferença em relação ao IBOV |
| Caixa ETF Ibovespa Fundo de Índice (XBOV11) | 57,62% | -0,71 p.p. |
| iShares Ibovespa Fundo de Índice (BOVA11) | 62,32% | +3,98 p.p. |
| It Now Ibovespa Fundo de Índice (BOVV11) | 63,01% | +4,68 p.p. |
O recorte mostra uma distância de 5,39 pontos percentuais entre o menor e o maior retorno. Enquanto o XBOV11 ficou 0,71 p.p. abaixo do índice, BOVA11 e BOVV11 registraram retornos superiores ao Ibovespa no período, com diferenças de 3,98 p.p. e 4,68 p.p., respectivamente.
Características dos ETFs que afetam o retorno
A divergência entre os retornos ganha outra dimensão quando observada junto às características dos próprios ETFs.
O XBOV11, cujo desempenho ficou abaixo da referência, tem taxa de administração de 0,5%. Já BOVA11 e BOVV11, que superaram o benchmark no recorte, informam cobrar taxa de 0,1% ao ano.
Porém, a taxa de administração não é o único fator que afeta o resultado do fundo, como visto. Os três ETFs utilizam replicação física total do Ibovespa, mas apresentam características operacionais distintas.
O BOVA11, por exemplo, realiza rebalanceamentos de acordo com a composição do índice. Já o BOVV11 informa a possibilidade de alugar até 70% das ações da carteira, com a receita dessas operações incorporada ao rendimento do fundo.
A comparação mostra que o retorno de um ETF não resulta somente do índice acompanhado ou de uma única despesa. Ele abrange particularidades do veículo financeiro que influenciam o modo como cada fundo reproduz o desempenho do benchmark.
O que observar ao comparar ETFs do mesmo índice?
A escolha entre ETFs que acompanham o mesmo índice exige mais do que identificar os retornos em determinado período. Com alternativas reunidas em uma mesma base, o profissional amplia o recorte e observa como cada fundo se comporta em uma variedade de janelas de tempo.
Isso também é relevante para comparar retorno, risco e performance, verificando a consistência dos resultados historicamente. Afinal, é possível que um ETF apresente vantagem em certo período sem repetir o comportamento em outros intervalos.
A análise de horizontes variados mostra se a distância em relação ao benchmark se mantém ao longo do tempo ou se está concentrada em determinadas janelas.
A comparação pode avançar para o comportamento do risco. ETFs com a mesma referência tendem a apresentar retornos próximos e, ainda assim, trajetórias diferentes.
Métricas de volatilidade, liquidez e outras medidas de risco ajudam a visualizar essas distinções e complementam a leitura do retorno acumulado. A partir desse cruzamento, o profissional tem as ferramentas para investigar o que explica os resultados.
O Quantum Axis contribui para essa análise. A ferramenta reúne séries históricas, gráficos e indicadores de mercado, permitindo comparar ativos e acompanhar seu comportamento em diferentes períodos.
Com esses recursos, o profissional consegue aprofundar a avaliação dos ETFs e relacionar as variações de retorno ao comportamento observado ao longo do tempo.
Como você viu, ETFs atrelados ao mesmo índice podem apresentar retornos distintos em razão de características próprias de cada fundo e de sua forma de acompanhar o benchmark. Tracking difference e tracking error são ferramentas para observar esses desvios por perspectivas diferentes.
Quer comparar ETFs e monitorar sua performance? Conheça o Quantum Axis e tenha acesso a dados para aprofundar sua análise!
Resumindo
Reveja os principais pontos sobre o tracking error e por que os ETFs que seguem o mesmo índice podem ter desempenho distinto:
- Tracking difference mostra a diferença acumulada entre o retorno do ETF e o índice de referência, enquanto o tracking error mede a variabilidade desse desvio ao longo do tempo
- Taxas, custos de negociação, rebalanceamentos, método de replicação, tratamento de dividendos e hedge cambial podem influenciar a aderência do ETF ao benchmark
- No recorte de 60 meses analisado pela Quantum, os ETFs do Ibovespa apresentaram variações em relação ao benchmark, com retornos tanto abaixo quanto acima do índice
- A comparação entre ETFs e períodos variados permite avaliar a consistência do desempenho e aprofundar a análise de retorno e risco


